Submarino

sexta-feira, 6 de abril de 2018

FIM DA LINHA PRA VOCÊ, EX PRESIDENTE


Fim da linha pra você, ex presidente ladrão
Mesmo sem provas
Bato panelas
Em prol da sua condenação
Isso é pra você aprender
Que o pobre não tem direito a mais que uma refeição

Fim da linha pra você, metalúrgico boçal
Isso é pra você aprender
A nunca mais fazer assistência social
Com meu dinheiro
E nem se atrever a transformar em engenheira
A filha do pedreiro

Fim da linha pra você ex presidente aleijado
Não é pelo triplex
Que você está sendo condenado
É pela sua ousadia
Em ajudar o garçom
A virar advogado
Em contribuir
Pra ascensão do negro favelado
Que agora acredita
Que pode estudar medicina
Sair da miséria
E até conhecer a Capela Sistina

Fim da linha pra você, ex presidente bandido
Isso é pra você aprender
Que o nordeste deve voltar a ser esquecido
E que saúde e educação
É pra quem pode
E não pra quem quer

Fim da linha pra você, semi analfabeto atrevido
Graças a sua insensatez
O filho da faxineira
Chamou o meu filho de amigo
Você está sendo condenado
Pela sua falta de noção
De achar que pobre é gente
Que agora pode usar aparelho nos dentes
Ter casa própria e andar de avião

Fim da linha pra você, ex presidente imundo
Isso é pra você parar com essa palhaçada
De estimular a minha cozinheira
A querer ter carteira assinada
Era só o que me faltava
O proletariado sonhar com qualidade de vida
Você devia saber
Que essa gente nasceu pra me servir
E não pra ser servida
Mas você é tão inconsequente
Não enxerga um palmo diante do nariz
Que fez a babá do meu caçula
Sonhar que pode estudar pra ser atriz
E fazer aula de inglês
Essa pouca vergonha
É resultado
Da sua insensatez
Da sua irresponsabilidade desmedida
Aprenda de uma vez
Barriga vazia
E bala perdida
Fazem parte do cotidiano
Dessa gente bronzeada
Foi querer mudar o mundo
Se meteu numa enrascada

Fim da linha pra você, ex presidente imbecil
Você está sendo condenado
Não por ter roubado
Porque isso não foi provado
Seu erro
Foi fazer história
Ser do tamanho do Brasil
Ter oitenta por cento de aprovação popular
Acreditar em igualdade
E saber governar.

HERTON GUSTAVO GRATTO

domingo, 11 de março de 2018

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

O que dizer de Fahrenheit 451? O livro de Ray Bradbury é uma lição, pois a distopia ali apresentada é quase o que vivemos hoje. Não há ainda ninguém queimando livros, mas há muitos desprezando o conhecimento e inibindo a educação para que tudo pareça correto, para que não vejamos o que realmente ocorre na sociedade.

Na distopia apresentada no livro, os bombeiros queimam os livros que são encontrados nas casas, pois livros são uma ameaça. E como dizia Heinrich Heine: "Onde se lançam livros às chamas, acabam por queimar também os homens". As demais personagens vivem dedicando toda sua vida a uma espécie de vida virtual, apresentada nas telas gigantes dentro de suas casas, interagindo com personagens aos quais chamam de família, esquecendo de viver e se socializar com seus entes queridos reais. 

Montag, um bombeiro, conhece Clarisse, que é uma menina "estranha", pois sua família ainda "perde tempo" conversando e rindo, e ela caminha pelas calçadas, sentindo os cheiros, a luz do sol, a brisa, vivendo sua vida, questionando e aprendendo coisas novas. E esse jeito de Clarisse incomoda, e depois impressiona Montag, que acaba abandonando seu posto de bombeiro, entendendo o poder de um livro, o poder de questionar, de conversar, de aprender e de viver de verdade.

Leia o livro e questione, aprenda, opine, converse, sorria. Faça como Clarisse, mesmo que os outros te mandem para um psiquiatra. Não vivemos a vida se não a questionarmos, se continuarmos fechados olhando para as paredes das redes sociais ou das respostas prontas. Precisamos ler e aprender, precisamos carregar o conhecimento conosco, pois algum dia - como Montag descobriu - essa carga poderá ajudar alguém.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Sem Saída

Eu já briguei muito aqui, já usei este espaço para reclamar, para criticar, para discutir, e no resultado final você descobre que pouco ou nada foi resolvido. Já mudei de ideia a respeito de algumas coisas. Sim, eu mudo de opinião às vezes porque não tenho vergonha de pensar. 

O tempo vai passando, e percebemos que não adianta lutar contra algumas coisas. Às vezes um país inteiro sofre por causa da ignorância de alguns. Às vezes, uma família inteira sofre por causa da ignorância de um dos membros. E as pessoas sofrem por causa de suas escolhas. A melhor coisa a ser feita é ficar calado e deixar acontecer.

O reconhecimento nunca vem, e isso é um fato. As pessoas não estão dispostas a entender os problemas alheios, mesmo quando elas apresentam os mesmos problemas. O povo brasileiro faz coisas que são dignas de um estudo mais profundo:

- Querem respeito às mulheres e "empoderamento" - odeio essa palavra - feminino, mas elegem como mulher do ano uma pessoa que só fala de sexo e vulgaridade da mulher objeto em suas "músicas";

- Querem igualdade social, mas não aceitam quando o pobre começa a ter os mesmos direitos que os ricos;

- Querem educação melhor, mas gostam de falar e escrever errado nas redes sociais;

- Querem mais cultura, mas assistem BBB;

- Criticam os corruptos, mas sonegam impostos.

São tantas coisas pra citar aqui que faltaria espaço, e eu cansei. Vamos continuar observando a história de nosso país, e ver o que acontece. Já vimos muitas coisas. O que vem agora? Ditadura? Anarquia? Só Deus sabe.

domingo, 5 de novembro de 2017

Paz na Alma

Certa vez o diabo entrou em uma igreja, por simples curiosidade. Sentou num dos últimos bancos e ficou ouvindo o sermão do pregador enquanto olhava as pessoas que ali estavam.

Um pouco mais à sua direita estava sentado um homem baixinho, beirando os cinquenta anos. O diabo começou a olhar o homem enquanto pensava: "Olha isso, cristão é assim mesmo: chinelo de dedos, jeans batido e quase rasgando, camisa de segunda mão. Por que Deus não o ajuda a ter uma vidinha um pouco melhor?" 

Enquanto pensava assim, o diabo olhava o homem vagarosamente, subindo o olhar dos pés para a cabeça. Quando olhou para o rosto do homem, teve que baixar a visão novamente, pois o rosto do cristão pobre brilhava, o homem sorria e balançava afirmativamente a cabeça a cada frase que o pregador falava. O cristão era feliz, sentia paz por estar ali, sentia que tinha algo mais importante que tudo, e que levaria isso para sua casa quando a reunião acabasse. Ele estava se alimentando das palavras de Deus. O diabo então levantou-se e saiu da igreja de cabeça baixa.

Nos acostumamos a pensar que não precisamos mais de Deus e que não precisamos de paz, mas nossa alma geme dentro de nós enquanto estampamos nosso sorriso falso no rosto. Nos importamos demais com as coisas materiais, com a casa, com a organização, com o trabalho, com as aparências, e nada disso importa tanto.

Eu lembro da minha infância, tínhamos pouco, mas ao mesmo tempo tínhamos tudo. Eu me levantava ela manhã, tomava café e comia uma fatia de pão com margarina antes de ir para a escola. Muitas vezes almocei arroz, feijão e ovo frito, mas me sentia bem. Minha mãe cuidava de meu pai doente, e administrava a rotina, e ainda achava tempo para tratar bem meus amigos quando estes iam em minha casa.

Hoje tentamos encontrar paz num salário alto, numa casa perfeita, num bom carro, nas regras sociais, nas aparências, mas choramos e morremos por dentro porque na verdade nada disso importa. Nossa busca por outras coisas é só um paliativo, um disfarce. O desespero da alma nos torna insuportáveis, mas não queremos entender. O ser humano vive aqui há tanto tempo, e ainda não aprendeu a ter paz, infelizmente.

foto: Sérgio Rodrigues

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Que País é Este?

Há muitas e muitas postagens com este título, mas não pensei em nada melhor: que país é este? Onde chegamos? O que aconteceu com o Brasil? Tudo bem que nunca foi um país perfeito, mas certa vez houve esperança. E agora, o que aconteceu?

Há algum tempo atrás, vimos as pessoas irem para as ruas reclamar do preço do transporte público, milhares de pessoas protestando. E agora, que o país está em colapso, ninguém reclama! Isso só prova que o povo brasileiro não foi às ruas por vontade própria, mas sim porque foi manipulado pela mídia.

Sofremos um golpe descarado na República, e vimos o país desabar. Agora vemos o Brasil ser vendido aos pedaços por este grupo de políticos que deveria representar nossos interesses. Estamos vendo os direitos dos trabalhadores serem destruídos, e os trabalhadores não vão às ruas. Estamos vendo o direito dos aposentados ser negado, e ninguém protesta!

A venda dos bens públicos com a desculpa do Estado Mínimo não vai salvar o país. O Estado não vai cuidar direito da educação e da saúde mesmo que só tenha isso pra cuidar. O que falta não é verba e nem organização, o que falta é vontade e honestidade.

O crime organizado tomou conta das metrópoles e a polícia fica trocando farpa com o Exército quando deveriam juntos resolver o problema de uma vez por todas.

Estamos deixando o abismo social crescer novamente entre ricos e pobres, para que os ricos não percam seus privilégios. Estamos deixando os pobres perderem o poder de compra, perderem o direito de ir á faculdade, de estudar e conseguir um trabalho digno, para que os ricos não percam sua exclusividade.

Falta honestidade, falta vontade de mudar. Falta bom senso e um pouco de revolta no coração dos brasileiros. O Brasil está chegando ao fim, e estamos deixando tudo acontecer. Por quê?

domingo, 17 de setembro de 2017

Aos Pais

Esse texto é para você que é pai ou mãe, que tem filhos pequenos, dependentes e às vezes até um pouco chatos. Aquela criança que fica te chamando a todo tempo, te pedindo que brinque com ela, que lhe conte uma história, que a ajude a fazer algo que você sabe muito bem que ela consegue fazer sozinha. Aquela criança que vem exatamente na hora em que você está lendo, estudando, vendo alguma coisa na TV ou no computador. Essas atitudes não te irritam às vezes? Pois tenho algo a te contar.

Essa criança que te chama sempre, um dia não vai mais te chamar. Um dia você se perguntará onde ela anda, e ela estará com os amigos, e vai preferir continuar com eles. Um dia você a convidará para jogar algum jogo de tabuleiro contigo, tentando passar algum tempo com ela, mas ela dirá que não tem tempo, que vai sair, que vai estudar, que tem um compromisso.

Você terá histórias suas para contar, e tentará dividir com seus filhos, mas eles não acharão sua história interessante, e te deixarão de lado. Você perceberá que não é mais o super pai ou a super mãe que costumava ser, e que o papel de super herói foi substituído por outra pessoa. Você convidará seu filho para cozinhar contigo, ir ao mercado contigo, fazer qualquer atividade, na vã esperança de recuperar um pouco daquele tempo que você não deu quando eles precisavam, mas seus convites serão recusados com uma desculpa qualquer.

E isso será maldade da parte deles? Não. Eles crescem. O tempo passa e eles crescem. O tempo voa e a menina que adorava ir contigo à qualquer lugar sairá sozinha ou com os amigos. A vida avança e o menino que te considerava o melhor pai do mundo vai dizer que não pode sair com você porque combinou sair com os amigos. 

Então aproveite. Ouça seus filhos hoje, faça alguma coisa com eles hoje, brinque com eles, ri com eles, conte histórias, faça seu lanche predileto, escute eles contarem suas histórias. Um dia isso vai acabar, e esse dia chega rápido. Não queira se arrepender depois, você tem a oportunidade agora.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A Bactéria que Reduz a Transmissão da Dengue

Na terça-feira, dia 29 de agosto, milhões de mosquitos Aedes aegypti começaram a ser lançados no Rio de Janeiro. Os mosquitos forma inoculados com uma bactéria natural que reduz o contágio dos vírus da dengue, zika e chikungunya.

A ideia inovadora foi da Fundação Oswaldo Cruz, e consiste na inoculação das fêmeas do mosquito com a bactéria Wolbachia. Os mosquitos soltos irão se reproduzir e repassar essa característica às futuras gerações, reduzindo o contágio das doenças. 

A bactéria utilizada não apresenta perigo ao organismo humano, mas tem sido útil na diminuição da transmissão da dengue desde o projeto piloto que foi realizado em 2014.

Wolbachia - Wikipedia