Submarino

domingo, 5 de novembro de 2017

Paz na Alma

Certa vez o diabo entrou em uma igreja, por simples curiosidade. Sentou num dos últimos bancos e ficou ouvindo o sermão do pregador enquanto olhava as pessoas que ali estavam.

Um pouco mais à sua direita estava sentado um homem baixinho, beirando os cinquenta anos. O diabo começou a olhar o homem enquanto pensava: "Olha isso, cristão é assim mesmo: chinelo de dedos, jeans batido e quase rasgando, camisa de segunda mão. Por que Deus não o ajuda a ter uma vidinha um pouco melhor?" 

Enquanto pensava assim, o diabo olhava o homem vagarosamente, subindo o olhar dos pés para a cabeça. Quando olhou para o rosto do homem, teve que baixar a visão novamente, pois o rosto do cristão pobre brilhava, o homem sorria e balançava afirmativamente a cabeça a cada frase que o pregador falava. O cristão era feliz, sentia paz por estar ali, sentia que tinha algo mais importante que tudo, e que levaria isso para sua casa quando a reunião acabasse. Ele estava se alimentando das palavras de Deus. O diabo então levantou-se e saiu da igreja de cabeça baixa.

Nos acostumamos a pensar que não precisamos mais de Deus e que não precisamos de paz, mas nossa alma geme dentro de nós enquanto estampamos nosso sorriso falso no rosto. Nos importamos demais com as coisas materiais, com a casa, com a organização, com o trabalho, com as aparências, e nada disso importa tanto.

Eu lembro da minha infância, tínhamos pouco, mas ao mesmo tempo tínhamos tudo. Eu me levantava ela manhã, tomava café e comia uma fatia de pão com margarina antes de ir para a escola. Muitas vezes almocei arroz, feijão e ovo frito, mas me sentia bem. Minha mãe cuidava de meu pai doente, e administrava a rotina, e ainda achava tempo para tratar bem meus amigos quando estes iam em minha casa.

Hoje tentamos encontrar paz num salário alto, numa casa perfeita, num bom carro, nas regras sociais, nas aparências, mas choramos e morremos por dentro porque na verdade nada disso importa. Nossa busca por outras coisas é só um paliativo, um disfarce. O desespero da alma nos torna insuportáveis, mas não queremos entender. O ser humano vive aqui há tanto tempo, e ainda não aprendeu a ter paz, infelizmente.

foto: Sérgio Rodrigues

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Que País é Este?

Há muitas e muitas postagens com este título, mas não pensei em nada melhor: que país é este? Onde chegamos? O que aconteceu com o Brasil? Tudo bem que nunca foi um país perfeito, mas certa vez houve esperança. E agora, o que aconteceu?

Há algum tempo atrás, vimos as pessoas irem para as ruas reclamar do preço do transporte público, milhares de pessoas protestando. E agora, que o país está em colapso, ninguém reclama! Isso só prova que o povo brasileiro não foi às ruas por vontade própria, mas sim porque foi manipulado pela mídia.

Sofremos um golpe descarado na República, e vimos o país desabar. Agora vemos o Brasil ser vendido aos pedaços por este grupo de políticos que deveria representar nossos interesses. Estamos vendo os direitos dos trabalhadores serem destruídos, e os trabalhadores não vão às ruas. Estamos vendo o direito dos aposentados ser negado, e ninguém protesta!

A venda dos bens públicos com a desculpa do Estado Mínimo não vai salvar o país. O Estado não vai cuidar direito da educação e da saúde mesmo que só tenha isso pra cuidar. O que falta não é verba e nem organização, o que falta é vontade e honestidade.

O crime organizado tomou conta das metrópoles e a polícia fica trocando farpa com o Exército quando deveriam juntos resolver o problema de uma vez por todas.

Estamos deixando o abismo social crescer novamente entre ricos e pobres, para que os ricos não percam seus privilégios. Estamos deixando os pobres perderem o poder de compra, perderem o direito de ir á faculdade, de estudar e conseguir um trabalho digno, para que os ricos não percam sua exclusividade.

Falta honestidade, falta vontade de mudar. Falta bom senso e um pouco de revolta no coração dos brasileiros. O Brasil está chegando ao fim, e estamos deixando tudo acontecer. Por quê?

domingo, 17 de setembro de 2017

Aos Pais

Esse texto é para você que é pai ou mãe, que tem filhos pequenos, dependentes e às vezes até um pouco chatos. Aquela criança que fica te chamando a todo tempo, te pedindo que brinque com ela, que lhe conte uma história, que a ajude a fazer algo que você sabe muito bem que ela consegue fazer sozinha. Aquela criança que vem exatamente na hora em que você está lendo, estudando, vendo alguma coisa na TV ou no computador. Essas atitudes não te irritam às vezes? Pois tenho algo a te contar.

Essa criança que te chama sempre, um dia não vai mais te chamar. Um dia você se perguntará onde ela anda, e ela estará com os amigos, e vai preferir continuar com eles. Um dia você a convidará para jogar algum jogo de tabuleiro contigo, tentando passar algum tempo com ela, mas ela dirá que não tem tempo, que vai sair, que vai estudar, que tem um compromisso.

Você terá histórias suas para contar, e tentará dividir com seus filhos, mas eles não acharão sua história interessante, e te deixarão de lado. Você perceberá que não é mais o super pai ou a super mãe que costumava ser, e que o papel de super herói foi substituído por outra pessoa. Você convidará seu filho para cozinhar contigo, ir ao mercado contigo, fazer qualquer atividade, na vã esperança de recuperar um pouco daquele tempo que você não deu quando eles precisavam, mas seus convites serão recusados com uma desculpa qualquer.

E isso será maldade da parte deles? Não. Eles crescem. O tempo passa e eles crescem. O tempo voa e a menina que adorava ir contigo à qualquer lugar sairá sozinha ou com os amigos. A vida avança e o menino que te considerava o melhor pai do mundo vai dizer que não pode sair com você porque combinou sair com os amigos. 

Então aproveite. Ouça seus filhos hoje, faça alguma coisa com eles hoje, brinque com eles, ri com eles, conte histórias, faça seu lanche predileto, escute eles contarem suas histórias. Um dia isso vai acabar, e esse dia chega rápido. Não queira se arrepender depois, você tem a oportunidade agora.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A Bactéria que Reduz a Transmissão da Dengue

Na terça-feira, dia 29 de agosto, milhões de mosquitos Aedes aegypti começaram a ser lançados no Rio de Janeiro. Os mosquitos forma inoculados com uma bactéria natural que reduz o contágio dos vírus da dengue, zika e chikungunya.

A ideia inovadora foi da Fundação Oswaldo Cruz, e consiste na inoculação das fêmeas do mosquito com a bactéria Wolbachia. Os mosquitos soltos irão se reproduzir e repassar essa característica às futuras gerações, reduzindo o contágio das doenças. 

A bactéria utilizada não apresenta perigo ao organismo humano, mas tem sido útil na diminuição da transmissão da dengue desde o projeto piloto que foi realizado em 2014.

Wolbachia - Wikipedia

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O Declínio da Linguagem

Fico observando a escrita - se é que se pode chamar assim - dos adolescentes de hoje e imaginando o que será da linguagem num futuro bem próximo, São poucos os jovens que escrevem direito, que conhecem um pouco de gramática, de concordância. Tornou-se moda escrever errado, abreviar tudo, mudar o significado de certas palavras. 

"Turu baum"?
"kkkkk" - quem ri assim?
"Naum"

Muitos "especialistas" afirmam que a base da escrita é o seu uso, para justificar esse tipo de linguagem ridícula das redes sociais. Eu afirmo que a base da escrita é o bom senso. Para poder quebrar as regras é necessário conhecê-las antes.

Parece-me que o ser humano tornou-se preguiçoso ao extremo, ou desesperado em ganhar tempo quando se comunica. Precisa abreviar tudo, comer vogais e digitar pedaços de palavras para enviar uma mensagem. 

Quem já leu "1984" lembra da Novafala, aquele tipo de linguagem introduzido na distopia relatada no livro para que as pessoas pensassem cada vez menos. A internet está fazendo isso, está matando o português e acabando com o vocabulário vasto que poderíamos utilizar.

Há pessoas que usam palavras cada vez menores mesmo em conversas fora da internet. Só falam utilizando monossílabos! Se continuarmos assim, em breve poderemos retornar às cavernas, pois estaremos emitindo grunhidos incompreensíveis.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A Aparência de um Homem de Sucesso

Li recentemente uma pesquisa feita na Austrália, comprovando que homens de boa aparência obtém mais sucesso em suas carreiras do que homens que não possuem tanta beleza física. Vivemos isso nos dias atuais, vemos isso nas empresas, nas escolas, em todos os lugares. Tanto homens como mulheres são julgados pela sua aparência e status.

Procurei então o exemplo de um homem bem sucedido, para que eu pudesse verificar sua aparência e sua posição social. Acabei encontrando Jesus, que para muitos tem se tornado sem importância, mas seus ensinamentos e seu exemplo tem sido alento e esperança para muitos. Mesmo desconsiderando sua santidade - como muitos o fazem - ele venceu e obteve sucesso em todos os aspectos de sua "carreira": como mestre, ensinando tanta gente, como exemplo de honestidade, de empatia, de sinceridade. Em tudo ele obteve sucesso, e - para os que creem - venceu a morte.

Mas vejamos sua aparência e status: mesmo sendo Filho de Deus, ou profeta famoso em Israel - para que aqueles que não aceitam sua divindade - Jesus era um homem simples e até mesmo desprezível. Ele era como uma planta que cresce em terra seca. Vocês já viram algo assim? Não era bonito, não tinha nada que chamasse atenção. Foi rejeitado e desprezado por todos. Era como alguém que não queremos ver. (texto de Isaías 53).

E quanto ao status? Não era de se esperar que o Messias de Israel viesse em grande pompa? Mas não foi assim. Jesus mesmo certa vez disse a um homem que queria segui-lo: "As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça". (Mateus 8:20). Que exemplo de vida! E fazemos hoje exatamente o contrário. Nos preocupamos com tudo: beleza, status, moda, aparência. Precisamos fazer tudo o que os outros fazem. Precisamos ter o que os outros têm. Precisamos fazer até mesmo o que não gostamos para manter nosso status. Triste vida que vivemos. Que não seja tarde para aprendermos a viver uma vida mais simples e feliz.

domingo, 23 de julho de 2017

Mudanças

Demorei um pouco para realizar aqui uma nova postagem, pois estava em meio a uma mudança, e é sobre isso que resolvi escrever: mudança. Algumas são mais simples, como trocar os móveis de lugar, outra mais complexas, como mudar de casa, mas algumas mudanças mexem com nossa estrutura emocional, nossa vida como um todo. 

Quando mexemos em uma estrutura formada, por mais fraca que seja esta estrutura, a mudança influencia nossa vida, nos causa sempre um pouco de insegurança, de incerteza. Mas a verdade é que precisamos encarar algumas reviravoltas em nossa vida quando precisamos melhorar, quando precisamos nos sentir melhor. 

Eu deixei para trás uma vida incerta e que me magoou muito, e estou recomeçando. Há sempre um pouco de receio, alguma preocupação, mas o primeiro passo é aceitar e entender que para sair de um lugar ou situação ruim, é preciso se mexer, se mover. É preciso partir do começo novamente, cuidando para não repetir os mesmos erros. 

Esta mudança de situação tem me feito pensar também nas demais coisas, como o trabalho: quanta coisa poderia ser melhor em nossa vida se deixássemos de lado a preocupação excessiva com status, com a ganância e com a opinião alheia. Não é necessário assumir o posto máximo em uma empresa para ser feliz. Não é necessário ganhar muito para termos o que realmente importa. Não vale a pena expor os filhos e a família a situações controladas pela empresa apenas para manter a função dentro dela. 

Precisamos nos preocupar mais com nosso bem estar emocional, deixando de lado o dinheiro e o status. Precisamos parar de pensar que dar tudo que nossos filhos querem é o mesmo que lhes dar atenção, porque não é. Precisamos viver, porque a vida vale a pena. Precisamos parar de pensar que ambição é algo positivo, porque não é. 

Precisamos de coragem para mudar, para deixar de fazer o que nos faz mal, para largar velhos hábitos. Vamos mudar, mas vamos procurar mudar para melhor. Vamos, acima de tudo, viver.